Joaquim Azevedo, o homem a quem Pedro
Passos Coelho confiou a missão de coordenar um grupo de trabalho
sobre natalidade, afirmou, há dias, que “a maioria das empresas
não é amiga da natalidade”. Estará o professor universitário a
referir-se a algum tipo de “amizade colorida” ou, de facto, acha
mesmo que os empresários são os culpados de não se fazer bebés em
Portugal?
Ao intervir nas jornadas parlamentares
do PSD, em Viseu, sobre demografia e natalidade, Azevedo admitiu que
é necessário actuar sobre a economia e a educação, sobretudo, até
aos três anos de idade, por forma a inverter a tendência
descendente da natalidade. Reconheceu, ainda, que a manter-se a
quebra de natalidade verificada nos últimos anos, o país não é
sustentável. Ora, que conclusão de génio! Muitos parabéns! Conseguiu chover no molhado e,
dali, já todos percebemos, não vai germinar coisa nenhuma.
“A descida está a ser abrupta,
alerta super vermelho, primeiro temos de estabilizar”, disse
Joaquim Azevedo, como se estivesse ao comando de uma nave espacial.
Não. Não é disso que se trata. O problema, mais do que discutido e
evidenciado, é que os portugueses não procriam... o suficiente.
A razão por que os portugueses não
têm mais filhos é, sobejamente, conhecida. A maioria quer, mas não
pode, porque não tem condições financeira para se aguentar até ao
fim do mês, quanto mais para trazer uma criança ao mundo.
Portanto, um conselho aos nossos
governantes. Parem de fazer de conta que a culpa é de todos menos
vossa e comecem, realmente, a criar condições económicas e sociais
para que os portugueses possam gerar crianças. A culpa não é das
empresas nem dos muitos jovens que são forçados a emigrar. A culpa é
vossa.
Os governantes portugueses e as suas políticas de austeridade
são o melhor contraceptivo que alguma vez foi inventado.
Portanto, se querem crianças a nascer,
parem de fazer como a avestruz, tirem a cabeça da areia, incentivem
a natalidade e deixem a cegonha tratar das muitas encomendas que têm
sido adiadas por vossa causa.
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